Ao longo da época contemporânea, sobretudo do século XX, foi aos indicadores sobre a sociedade que mais se recorreu quando se pretendeu destacar o atraso ou desfasamento português face a outros países europeus. Invocava-se então a elevadíssima mortalidade infantil, as altas taxas de analfabetismo ou a persistente emigração para identificar as arrastadas maleitas portuguesas, cuja responsabilidade se atribuía, sobretudo, ao regime político, em particular ao Estado Novo. Este volume procura responder a essas interrogações, oferecendo um retrato analítico e cronologicamente fundamentado da história social contemporânea portuguesa, cujos primórdios foram marcados pelo colapso imperial, pela independência do Brasil e pela vitória do liberalismo em 1834, depois de arrastados conflitos. Tratou-se não apenas de uma rutura política, mas também do triunfo de uma nova conceção da organização da sociedade. Os contextos e limites da sua concretização, bem como as reações que suscitou, constituem, em boa medida, a matéria tratada neste volume. Ao longo de cinco capítulos, debatem-se os impactos sociais das mudanças políticas ou, mais exatamente, de que forma se combinaram com as transformações e as continuidades na sociedade portuguesa. |