«O ideário e a ética anarquistas obtiveram desde cedo eco junto dos escritores e outros artistas portugueses. Desde Proudhon, que teve em Antero de Quental e Eça de Queirós leitores interessadíssimos, às gerações seguintes, em que se salientaram figuras como Jaime Cortesão, Campos Lima ou Pinto Quartin, com os escritos de Bakunin, e principalmente Tolstói, Reclus, Kropótkin, Malatesta. Nomes que entraram nos meios operários e na respectiva imprensa, em que irão fulgurar Manuel Ribeiro, Neno Vasco, Julião Quintinha, Assis Esperança, Jaime Brasil, Ferreira de Castro, Mário Domingues, João Pedro de Andrade e Roberto Nobre, entre outros, todos com obra para lá dos jornais - umas que perduram, outras caindo no esquecimento -, sem esquecer afinidades mais ou menos próximas, que aqui são também abordadas, de Raul Brandão a José Régio. Este número dos Cadernos Nova Síntese congrega estudos sobre alguns destes autores, que se pautaram pelo inconformismo e a insubmissão, esperando constituir-se como ponto de partida para uma abordagem mais sistematizada e completa, ocupando o seu lugar entre o Realismo oitocentista e o Neo-Realismo, de que foram, em alguns casos, contemporâneos.» Ricardo António Alves |